A Última Copa do Mundo de Cristiano Ronaldo
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A Última Copa do Mundo de Cristiano Ronaldo: Portugal Pode Ganhar Tudo?
Ronaldo confirmou. 2026 é a última.
O torneio vai ser disputado nos Estados Unidos, Canadá e México, e se Roberto Martínez fizer o que todo mundo em Portugal espera (que é convocar Cristiano para a lista dos 26), Ronaldo está prestes a fazer uma coisa que ninguém nunca fez na história do futebol internacional. Seis Copas do Mundo. Seis. O recorde anterior de cinco já é dele desde o Catar. Seis é um território onde ninguém mais nunca pisou.
Tem 41 anos. Soma 145 gols pela seleção em 213 jogos. E chega ao seu torneio de despedida atrás do único troféu que, por algum motivo, sempre escapou dele.
Uma Carreira Que Desafia a Lógica
Não sei como dizer isso de outro jeito. Os números do Ronaldo pela seleção são absurdos quanto mais você olha.
145 gols. 213 jogos. Cinco Champions League. Eurocopa 2016. Três Premier Leagues. Duas La Ligas. E aí uma fase no Al-Nassr da Saudi Pro League que não tem o menor sentido pelos números que ele produziu. 35 gols na liga em 2023-24. Ele tinha 39 anos. Atacante no auge não faz isso. Ele fez.
A Copa do Mundo é o asterisco. A grande. O troféu que define onde ele fica na conversa dos maiores de todos os tempos, dependendo de quem você pergunta.
A melhor campanha de Portugal com o Ronaldo em Copa ainda é 2006, quando ele tinha 21 anos, jogou ao lado de Figo e Deco, e o time terminou em quarto. Depois disso? Três eliminações em quartas de final. A mais dolorida foi contra o Marrocos no Catar, logo depois de meter seis na Suíça e parecer, por noventa minutos, que enfim tinham descoberto alguma coisa. Aí o Bounou fez o jogo da vida dele e foi isso.
A Eurocopa de 2016 ainda está na sala de troféus, mas pergunta pra qualquer um o que ele lembra daquela final e a resposta vai ser a mesma. A entrada do Payet aos 25 minutos. Ronaldo na maca. Ronaldo na linha, dirigindo o time como se fosse um auxiliar técnico. Eder ganhando na prorrogação. Ronaldo levantou a taça. Mas não jogou de verdade. A Copa do Mundo é o único título grande onde ele consegue escrever o final pessoalmente, em campo, do jeito que ele queria desde criança lá na Madeira.
O Dilema do Time Titular
Beleza. A grande pergunta.
Não é se Ronaldo vai estar na lista. Vai estar. A pergunta é se ele deveria começar jogando.
A pressão alta não é mais a mesma. Nem a marcação na descida, nem a perseguição aos zagueiros adversários no campo deles, aquela parte do jogo dele que sempre foi meio subestimada quando era mais novo. Os mapas de calor das últimas partidas dele por Portugal mostram zonas cada vez menores. O número de sprints despencou comparado com o que ele costumava entregar.
E Portugal tem opções. Várias.
Gonçalo Ramos fez um hat-trick contra a Suíça no Catar (a mesma noite em que Fernando Santos deixou Ronaldo no banco, o que explodiu o vestiário e basicamente custou o cargo do Santos algumas semanas depois). Ramos está nos melhores anos da carreira agora. Rafael Leão dá pra eles um ponta esquerdo que ninguém mais no elenco consegue substituir. Diogo Jota é inteligente, letal dentro da área, exatamente o tipo de cara que você quer pra um mata-mata de Copa. João Félix, quando está bem, enxerga passes que outros atacantes portugueses simplesmente não veem.
Roberto Martínez está lidando com toda essa situação com muito mais jeito do que o Santos jamais teve. O meio-termo que todo mundo espera é o óbvio. Ronaldo começa a fase de grupos. Daí em diante, jogo a jogo na fase eliminatória.
Se isso vai segurar depende totalmente de o Ronaldo aceitar um papel reduzido em algum mata-mata. E, olha, a história do Ronaldo com papel reduzido não é boa. Essa é a parte do torneio que ninguém consegue prever.
A Verdadeira Força de Portugal
Tá. Tira o Ronaldo da conversa por um instante. Só uma seção.
Portugal é bom. Tipo, bom de verdade. Aquele tipo de "bom" do qual ninguém fala o suficiente porque a conversa sobre o Ronaldo come tudo o que está em volta.
Rúben Dias e Gonçalo Inácio na zaga formam uma das melhores duplas de zagueiros da Europa hoje. Dias é o líder. O martelo. Inácio é mais tranquilo com a bola, mais à vontade construindo de trás. Nuno Mendes na lateral esquerda, quando está inteiro, é um dos dois ou três melhores do mundo na posição. A carreira do Cancelo em clubes virou uma bagunça mas o teto ainda está lá se o Martínez conseguir colocá-lo em forma.
O meio-campo talvez seja o melhor do torneio. Vou falar isso em voz alta. Vitinha no PSG virou um metrônomo nos últimos 18 meses. João Neves entra com a perna e o pulmão. Bruno Fernandes é o tipo de jogador que decide um mata-mata com um lance de visão no último terço. E Bernardo Silva é Bernardo Silva. Sempre tem mais tempo que todo mundo em campo. Sempre acha o passe.
Lá na frente, antes nem mencionar o Ronaldo, tem uma profundidade que a maioria dos elencos da Copa não tem. Leão está fazendo o melhor ano da carreira no Milan. 25 gols, 18 assistências. Pedro Neto. Conceição. Trincão. Dá pra rodar três atacantes a cada jogo sem perder nada. O Grupo K (Colômbia, RD Congo, Uzbequistão) não devia ser um problema sério. Ganhar o grupo é o piso, não o teto.
O Caminho na Fase Eliminatória
Ganhar o grupo importa mais em 2026 do que em qualquer outra Copa, porque a estrutura do chaveamento de um torneio de 48 seleções pune quem não termina em primeiro. Mais jogos. Mais preocupação com recuperação física para um Ronaldo de 41. Um caminho mais longo até a final do que qualquer Copa anterior. Quem ganhar essa coisa joga sete mata-matas. Sete. Lê duas vezes.
O caminho provável passa por uma seleção africana ou sul-americana nas oitavas. Depois Argentina, França ou Brasil das quartas em diante.
A expansão diminuiu a distância entre as potências tradicionais e as seleções de meio escalão. Portugal vai ter que ser implacável nos jogos onde é favorito, o que, historicamente, nem sempre deu certo pra eles. Marrocos 2022. Uruguai 2010. Grécia na Eurocopa 2004. O futebol português tem uma pasta grossa de jogos "ganháveis" em torneios que terminaram com homens adultos chorando no gramado.
O Paralelo com Messi
A rivalidade que define o futebol moderno ganha um capítulo final em 2026.
Messi, o cara que finalmente ganhou no Catar, volta pra defender o título com 38 anos. Ronaldo, ainda atrás dele, joga a mesma Copa com 41. Ambos nas suas últimas Copas do Mundo. Ambos escrevendo as últimas linhas dos seus legados em tempo real, no mesmo palco, ao mesmo tempo, com o esporte inteiro assistindo.
Se Portugal e Argentina se evitarem na fase de grupos (vão se evitar), um cruzamento no mata-mata vira o roteiro que todo torcedor já escreveu na cabeça. Ronaldo contra Messi nas quartas ou semifinais, 41 e 38 anos, com a Copa do Mundo em jogo. Provavelmente o jogo de futebol mais assistido da história. Eles só se enfrentaram três vezes em jogos competitivos. A chance de uma quarta vez, nesse palco, com tanta coisa em jogo... os organizadores do torneio não fabricariam isso nem se quisessem.
O Veredicto
Portugal não é favorita. França, Argentina, Brasil, Inglaterra, Espanha. Estão todos na frente nas apostas.
Mas favoritos perdem Copa do Mundo o tempo todo. Grécia ganhou a Eurocopa 2004. Portugal mesmo ganhou em 2016. Marrocos chegou numa semifinal de Copa há menos de quatro anos. Com esse meio-campo, essa profundidade no ataque, e uma espinha defensiva que aguenta qualquer um do torneio, Portugal genuinamente tem o elenco pra ir mais longe do que jamais foi com o Ronaldo.
Se ele termina levantando a taça pessoalmente ou vendo os companheiros levantarem, esse torneio é o capítulo final de uma das carreiras que define o futebol. Pela primeira vez em duas décadas, Portugal entra numa Copa do Mundo com elenco pra ganhar de verdade. E o cara que carregou eles por vinte anos tem uma última chance de escrever o final que sempre quis.
O verão de 2026 vai ser muita coisa. A primeira Copa de 48 seleções. O maior torneio já organizado. O ato final de Messi e Ronaldo ao mesmo tempo, no mesmo palco, na mesma competição. Pra Portugal especificamente, é a chance de transformar duas décadas de "quase" no único troféu que sempre esteve fora do alcance. Cada jogador desse elenco sabe o que está em jogo.
E o cara que veste a sete também.
Veja o grupo completo de Portugal e o calendário dos jogos em footgoal.co/schedule. Confira os jogos do Grupo K e todos os 12 grupos em footgoal.co/groups.



